Embaixador da Indonésia propõe parceria para Festival Amazonas de Ópera

Publicado em: segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Ópera Kawah Ijen, que já tem libreto escrito pelo compositor João Guilherme Ripper, foi discutida durante visita de Toto Riyanto

Embaixador presenteou secretário de Cultura no fim da reunião (Foto: Michael Dantas)
Reuni"ao foi realizada entre os maestros, o secretário de Cultura e o embaixador indonésio (Foto: Michael Dantas)
Reunião discutiu parceria entre Secretaria de Cultura e o Governo da Indonésia (Foto: Michael Dantas)
Embaixador Toto Riyanto se encontrou com o secretário Denilson Novo (Foto: Michael Dantas)

Sérgio Rodrigues

Uma ópera mítica em torno do vulcão Kawah Ijen, na ilha de Java, que, devido aos níveis de enxofre, expele lava azul e engole mineradores em um pacto pela riqueza é uma das propostas para o próximo Festival Amazonas de Ópera. A obra, com a união entre três países, foi apresentada à Secretaria de Estado de Cultura (SEC), nesta segunda-feira (23), durante a visita do embaixador da República da Indonésia, Toto Riyanto e já tem o libreto escrito pelo compositor João Guilherme Ripper.

O embaixador, que também visitou a sede do Governo do Estado, disse que procurava uma ponte que pudesse conectar as culturas indonésia e brasileira quando foi apresentado à obra “Kawah Ijen”.

”Acredito que a arte pode tocar nossos corações. Queremos ver se conseguimos juntar as músicas brasileira e indonésia no Festival”, disse o embaixador.

Durante a reunião, que teve a participação dos maestros Luiz Fernando Malheiro e Marcelo de Jesus, além da soprano Isabelle Sabrié e da assessora de Relações Internacionais da SEC, Suzy Osaqui, Ryianto declarou que vai fazer o que for possível para que a obra seja apresentada no Festival Amazonas de Ópera. O embaixador também propôs outros projetos que introduzissem a cultura indonésia no Amazonas.

“Queremos que a cultura se conecte não só na música, mas na gastronomia, nas danças, na política e na economia, com um centro de cultura da Indonésia que pudesse funcionar durante o Festival e apresentar às pessoas os costumes do nosso povo. Eu acredito que vai dar certo e vou lutar para que possamos trabalhar juntos”, afirmou.

O titular da pasta de Cultura, Denilson Novo, destacou que a proposta se alia a um dos novos pilares da gestão, a parceria.

“Ficamos muito felizes, é gratificante que nos primeiros dias de gestão recebamos uma proposta tão valiosa de intercâmbio entre nossos valores culturais”, disse.

A obra

A ideia da obra surgiu em 2016, após a ópera “Onheama” ser montada em Portugal, com regência do maestro Marcelo de Jesus.

“Onheama” foi escrita por Ripper e encomendada exclusivamente para o XVIII Festival de Ópera, em 2014.

“A proposta saiu de Manaus e voltou para Manaus”, explicou Ripper. “Em Portugal, eu fui abordado por uma percussionista da orquestra, que é especialista no instrumento gamelão, cujo o marido é escritor e tinha uma história sobre o Vulcão Azul que queria colocar em ópera. Achei a ideia interessante e comecei a trabalhar no libreto”, contou o compositor. “Pensei que a ópera pode introduzir a cultura indonésia, mas precisa de elementos sonoros típicos e, para isso, precisamos do gamelão. Queremos que Manaus seja o porto de entrada dessa cultura no Brasil, porque sedia um dos maiores eventos de ópera da América Latina”.

Obra Kawah Ijen já está com libreto escrito por João Guilherme Ripper. Foto: Michael Dantas/SEC

O gamelão (gamelan, em indonésio) é um instrumento composto por uma série de xilofones, gongos, tambores e metalofones, típico das ilhas de Java e Bali, na Indonésia. Desde que começou a trabalhar no libreto, Ripper procurou formas de transportar o instrumento para Manaus, que seria uma doação ao Governo do Amazonas, além do primeiro e único do País, a servir de base para estudos.

“Procurei o Ministério das Relações Exteriores para que procurassem a embaixada da Indonésia e resolvessem os trâmites. A ideia era que o instrumento chegasse via mala diplomática, pois, seria de propriedade da Indonésia. O instrumento, encomendado sob medida para a música ocidental já está pronto para ser enviado”, disse o compositor.

Conforme Ripper, a conexão com Portugal se daria na base dos músicos especialistas no gamelão, que poderiam chegar antes do festival para ministrar oficinas e tornar a capital amazonense um polo de difusão de ensino sobre o instrumento, um que ainda não existe no país.

“Portugal entra com os músicos, a Indonésia com a cultura e com o instrumento, e o Brasil está fazendo com que esse encontro aconteça. Três países que se unem em torno de uma obra”, pontuou.

Ainda segundo o compositor, o Festival Amazonas de Ópera foi o ponto de partida para que o projeto saísse do papel.

“Tanto os governos da Indonésia e de Portugal se interessaram a partir do momento em que foi mencionado o Festival, que é de renome internacional e ecoa além do Atlântico”, disse Ripper.

O secretário de Cultura afirmou que as portas da SEC estão abertas para operacionalizar a obra “Kawah Ijen”.

“Vamos esperar as especificações técnicas para receber o instrumento necessário e também estudar as casas ao redor do Teatro, que poderiam funcionar como um centro de cultura da Indonésia e, também, as oficinas dos músicos”, declarou.