Expo com obras do amazonense Da Silva Da Selva inaugura espaço cultural no Sumaúma Park Shopping

Mostra com 30 peças do acervo da Pinacoteca do Estado terá abertura no dia 21 de março, terça-feira, dando início à série de exposições no centro de compras ao longo de 2017.

Personagens, animais, árvores e plantas da Amazônia são tema da exposição “Imaginário Amazônico”, do artista amazonense Da Silva Da Selva, a ser inaugurada no dia 21, terça-feira, no Sumaúma Park Shopping, na avenida Noel Nutels, n° 1.762, Cidade Nova. A mostra, com obras do acervo da Pinacoteca do Estado, marca a abertura da Coletiva das Artes, novo espaço cultural mantido pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura, em parceria com o centro de compras da Zona Norte de Manaus.

A exposição terá abertura no dia 21, terça, a partir das 10h, em evento que terá a presença do secretário de Estado de Cultura, Robério Braga. Na ocasião, a mostra no Sumaúma Park receberá também 25 alunos do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro, das unidades Sambódromo e Centro de Convivência Pe. Pedro Vignola, em visita didática guiada por Juliana Fonseca, coordenadora do núcleo de Artes Visuais do Liceu.

Aberta ao público em geral, a exibição seguirá em cartaz no local até 22 de maio, com visitação de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos e feriados, das 14h às 20h, de acordo com os horários de funcionamento do shopping.

“Imaginário amazônico” será a primeira de uma série de mostras previstas até o fim do ano na sala Coletiva das Artes. Expandindo as atividades da Secretaria de Cultura para além do Centro da cidade, o espaço e seu entorno deverão receber também shows musicais, exibições de filmes e lançamentos literários, além de oficinas e workshops do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro. Em frente à sala, duas Caixas Estantes do Programa de Incentivo ao Livro e à Leitura “Mania de Ler” irão oferecer uma seleção de livros sobre arte ao público do shopping.

A abertura da Coletiva das Artes, na visão de Robério Braga, contribuirá para a descentralização das ações da Secretaria de Cultura, ampliando o acesso à arte e à cultura entre o público da Zona Norte. Também deverá se somar às ações de difusão e formação cultural que vêm sendo promovidas pela pasta nas últimas duas décadas.

“A inauguração desse espaço cultural numa das zonas mais populosas de Manaus vai levar atividades culturais e artísticas ao dia a dia de milhares de pessoas que transitam todos os dias pelo shopping”, declara ele. “E também servirá de atrativo e de apoio para crianças, jovens e adultos hoje atendidos pelo Centro de Convivência Pe. Pedro Vignola, que há dez anos investe na formação de valores positivos por meio de arte e cultura na Cidade Nova”.

Traços e cores – Com curadoria de Jandr Reis, “Imaginário amazônico” reúne ao todo 30 desenhos de Da Silva Da Selva (1929-2013), produzidos com técnicas diversas. As peças integram a coleção do artista, hoje no acervo da Pinacoteca do Amazonas – que guarda cerca de 550 obras do amazonense, dentre desenhos, pinturas, esculturas e outras – e já fizeram parte de outras duas mostras: “Amazônia, minha musa inspiradora” (2010), na Galeria do Largo, em Manaus; e “A Amazônia real e imaginária” (2015), em Parintins.

Os desenhos de “Imaginário amazônico” retratam personagens típicos da região, além de paisagens amazônicas, animais, plantas e árvores da região, com precisão e detalhes característicos da ilustração científica. “Ele era um apaixonado pela Amazônia, por sua fauna e sua flora, e deixou um legado dessas maravilhas. Mesmo tendo saído de Manaus muito cedo, para trabalhar no Rio de Janeiro, vinha muito para cá e baseou toda a sua produção nas coisas daqui”, comenta Jandr, que conheceu o artista e visitou seu ateliê no Rio.

A mostra abrange obras produzidas dos anos 1960 aos 1980, em técnicas como bico de pena, aquarela, esferográfica, lápis de cor e giz de cera. Dentre as peças, Jandr destaca uma série de desenhos em azul, produzidos a bico de pena no final desse período. “É uma série que lembra muito a obra de Portinari, em especial nas criações que fez para a Pampulha, em Belo Horizonte. Da Selva retrata canoeiros, pescadores, figuras do boi-bumbá, entre outras, num trabalho muito bem elaborado e de encher os olhos”, aponta.

Outra obra da mostra destacada por Jandr é “Rua das Palhas”. “É o desenho de uma rua por onde passava o que hoje é o igarapé do Mestre Chico, na Cachoeirinha, cercado por casas de palha, provavelmente retratando um cenário da infância de Da Selva”, avalia o curador, também artista plástico e designer.

Programação – A Coletiva das Artes deverá receber outras quatro mostras ao longo de 2017. Após a exposição de Da Selva, entra em cartaz “Bandeirolas e palafitas”, com obras de Auxiliadora Zuazo, de 23 de maio a 24 de julho. Em seguida, “Memórias Arquitetônicas”, com obras de Moacir Andrade, de 25 de julho a 25 de setembro.

Depois é a vez de “Movimento Sem Terra”, com fotografias de Sebastião Salgado, de 26 de setembro a 26 de novembro. A agenda se encerra com “Uma época da Manaus Antiga”, reunindo trabalhos do fotógrafo George Huebner, ficando em cartaz de 27 de novembro a 30 de dezembro.

Trajetória – Nascido Sebastião Corrêa da Silva, em Manaus, em 17 de janeiro de 1929, Da Silva Da Selva começou a exibir talento para as artes plásticas ainda na infância, aos 3 anos de idade, quando reproduzia imagens de revistas que achava bonitas. Sua primeira exposição aconteceu em 1942, em seu ateliê residencial, quando o artista contava apenas 13 anos. Mais tarde, graduou-se em Direito pela Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, onde passaria a residir e trabalhar.

Ao longo de sua trajetória, produziu trabalhos em diversas técnicas e suportes, dentre desenhos, cartuns, pinturas, esculturas, entalhes, tapeçaria e objetos de arte diversos. Suas obras foram expostas em diversas galerias e espaços institucionais, em exibições coletivas e individuais, em Manaus e no Rio de Janeiro. O artista faleceu em Brasília, em 19 de junho de 2013, aos 84 anos.

Sobre a Pinacoteca do Amazonas – Possui um acervo composto por mais de mil peças de técnicas variadas, abrangendo a produção artística brasileira entre os séculos XIX e XX, com ênfase especial nos artistas amazonenses. Promove exposições permanentes e temporárias e organiza eventos culturais diversos.

Instituída oficialmente em 1965, pelo governador Arthur Cézar Ferreira Reis, a partir de proposta do artista plástico Moacir Andrade, a Pinacoteca passou por diversos espaços, como a Biblioteca Pública, a Usina Chaminé e o Centro Cultural Palácio Rio Negro. Em 2009, passou a funcionar no Palacete Provincial do Amazonas, mantido pela Secretaria de Cultura, na Praça Heliodoro Balbi, S/Nº, Centro.

 

Serviço: Inauguração da sala Coletiva das Artes do Sumaúma Park Shopping com a exposição “Imaginário amazônico”, de Da Silva Da Selva
Data: Dia 21 de março, terça-feira
Hora: Abertura às 10h; visitação de segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingos e feriados, das 14h às 20h
Local: Avenida Noel Nutels, n° 1.762, Cidade Nova
Entrada: Gratuita
Classificação indicativa: Livre