Expo com obras do amazonense Da Silva Da Selva inaugura espaço cultural no Sumaúma Park Shopping

Publicado em: quinta-feira, 16 de março de 2017

Mostra com 30 peças do acervo da Pinacoteca do Estado terá abertura no dia 21 de março, terça-feira, dando início à série de exposições no centro de compras ao longo de 2017.

Personagens, animais, árvores e plantas da Amazônia são tema da exposição “Imaginário Amazônico”, do artista amazonense Da Silva Da Selva, a ser inaugurada no dia 21, terça-feira, no Sumaúma Park Shopping, na avenida Noel Nutels, n° 1.762, Cidade Nova. A mostra, com obras do acervo da Pinacoteca do Estado, marca a abertura da Coletiva das Artes, novo espaço cultural mantido pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura, em parceria com o centro de compras da Zona Norte de Manaus.

A exposição terá abertura no dia 21, terça, a partir das 10h, em evento que terá a presença do secretário de Estado de Cultura, Robério Braga. Na ocasião, a mostra no Sumaúma Park receberá também 25 alunos do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro, das unidades Sambódromo e Centro de Convivência Pe. Pedro Vignola, em visita didática guiada por Juliana Fonseca, coordenadora do núcleo de Artes Visuais do Liceu.

Aberta ao público em geral, a exibição seguirá em cartaz no local até 22 de maio, com visitação de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos e feriados, das 14h às 20h, de acordo com os horários de funcionamento do shopping.

“Imaginário amazônico” será a primeira de uma série de mostras previstas até o fim do ano na sala Coletiva das Artes. Expandindo as atividades da Secretaria de Cultura para além do Centro da cidade, o espaço e seu entorno deverão receber também shows musicais, exibições de filmes e lançamentos literários, além de oficinas e workshops do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro. Em frente à sala, duas Caixas Estantes do Programa de Incentivo ao Livro e à Leitura “Mania de Ler” irão oferecer uma seleção de livros sobre arte ao público do shopping.

A abertura da Coletiva das Artes, na visão de Robério Braga, contribuirá para a descentralização das ações da Secretaria de Cultura, ampliando o acesso à arte e à cultura entre o público da Zona Norte. Também deverá se somar às ações de difusão e formação cultural que vêm sendo promovidas pela pasta nas últimas duas décadas.

“A inauguração desse espaço cultural numa das zonas mais populosas de Manaus vai levar atividades culturais e artísticas ao dia a dia de milhares de pessoas que transitam todos os dias pelo shopping”, declara ele. “E também servirá de atrativo e de apoio para crianças, jovens e adultos hoje atendidos pelo Centro de Convivência Pe. Pedro Vignola, que há dez anos investe na formação de valores positivos por meio de arte e cultura na Cidade Nova”.

Traços e cores – Com curadoria de Jandr Reis, “Imaginário amazônico” reúne ao todo 30 desenhos de Da Silva Da Selva (1929-2013), produzidos com técnicas diversas. As peças integram a coleção do artista, hoje no acervo da Pinacoteca do Amazonas – que guarda cerca de 550 obras do amazonense, dentre desenhos, pinturas, esculturas e outras – e já fizeram parte de outras duas mostras: “Amazônia, minha musa inspiradora” (2010), na Galeria do Largo, em Manaus; e “A Amazônia real e imaginária” (2015), em Parintins.

Os desenhos de “Imaginário amazônico” retratam personagens típicos da região, além de paisagens amazônicas, animais, plantas e árvores da região, com precisão e detalhes característicos da ilustração científica. “Ele era um apaixonado pela Amazônia, por sua fauna e sua flora, e deixou um legado dessas maravilhas. Mesmo tendo saído de Manaus muito cedo, para trabalhar no Rio de Janeiro, vinha muito para cá e baseou toda a sua produção nas coisas daqui”, comenta Jandr, que conheceu o artista e visitou seu ateliê no Rio.

A mostra abrange obras produzidas dos anos 1960 aos 1980, em técnicas como bico de pena, aquarela, esferográfica, lápis de cor e giz de cera. Dentre as peças, Jandr destaca uma série de desenhos em azul, produzidos a bico de pena no final desse período. “É uma série que lembra muito a obra de Portinari, em especial nas criações que fez para a Pampulha, em Belo Horizonte. Da Selva retrata canoeiros, pescadores, figuras do boi-bumbá, entre outras, num trabalho muito bem elaborado e de encher os olhos”, aponta.

Outra obra da mostra destacada por Jandr é “Rua das Palhas”. “É o desenho de uma rua por onde passava o que hoje é o igarapé do Mestre Chico, na Cachoeirinha, cercado por casas de palha, provavelmente retratando um cenário da infância de Da Selva”, avalia o curador, também artista plástico e designer.

Programação – A Coletiva das Artes deverá receber outras quatro mostras ao longo de 2017. Após a exposição de Da Selva, entra em cartaz “Bandeirolas e palafitas”, com obras de Auxiliadora Zuazo, de 23 de maio a 24 de julho. Em seguida, “Memórias Arquitetônicas”, com obras de Moacir Andrade, de 25 de julho a 25 de setembro.

Depois é a vez de “Movimento Sem Terra”, com fotografias de Sebastião Salgado, de 26 de setembro a 26 de novembro. A agenda se encerra com “Uma época da Manaus Antiga”, reunindo trabalhos do fotógrafo George Huebner, ficando em cartaz de 27 de novembro a 30 de dezembro.

Trajetória – Nascido Sebastião Corrêa da Silva, em Manaus, em 17 de janeiro de 1929, Da Silva Da Selva começou a exibir talento para as artes plásticas ainda na infância, aos 3 anos de idade, quando reproduzia imagens de revistas que achava bonitas. Sua primeira exposição aconteceu em 1942, em seu ateliê residencial, quando o artista contava apenas 13 anos. Mais tarde, graduou-se em Direito pela Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, onde passaria a residir e trabalhar.

Ao longo de sua trajetória, produziu trabalhos em diversas técnicas e suportes, dentre desenhos, cartuns, pinturas, esculturas, entalhes, tapeçaria e objetos de arte diversos. Suas obras foram expostas em diversas galerias e espaços institucionais, em exibições coletivas e individuais, em Manaus e no Rio de Janeiro. O artista faleceu em Brasília, em 19 de junho de 2013, aos 84 anos.

Sobre a Pinacoteca do Amazonas – Possui um acervo composto por mais de mil peças de técnicas variadas, abrangendo a produção artística brasileira entre os séculos XIX e XX, com ênfase especial nos artistas amazonenses. Promove exposições permanentes e temporárias e organiza eventos culturais diversos.

Instituída oficialmente em 1965, pelo governador Arthur Cézar Ferreira Reis, a partir de proposta do artista plástico Moacir Andrade, a Pinacoteca passou por diversos espaços, como a Biblioteca Pública, a Usina Chaminé e o Centro Cultural Palácio Rio Negro. Em 2009, passou a funcionar no Palacete Provincial do Amazonas, mantido pela Secretaria de Cultura, na Praça Heliodoro Balbi, S/Nº, Centro.

 

Serviço: Inauguração da sala Coletiva das Artes do Sumaúma Park Shopping com a exposição “Imaginário amazônico”, de Da Silva Da Selva
Data: Dia 21 de março, terça-feira
Hora: Abertura às 10h; visitação de segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingos e feriados, das 14h às 20h
Local: Avenida Noel Nutels, n° 1.762, Cidade Nova
Entrada: Gratuita
Classificação indicativa: Livre