Ópera de Richard Wagner baseada em conto medieval é apresentada no Festival Amazonas de Ópera

Publicado em: quinta-feira, 11 de maio de 2017

“Tannhäuser”, estreada no ano de 1845, é mais uma das óperas de Wagner a ser apresentada no Teatro Amazonas.


Fotos:Bruno Zanardo

Uma história que une o humano e o divino, disputas medievais entre cavaleiros, e um pecador em busca de sua redenção pessoal por amor. Esse é o enredo da ópera Tannhäuser, composta pelo alemão Richard Wagner. E mais de 170 anos após a sua estreia, a ópera ganha nova montagem a ser encenada no Teatro Amazonas, nos dias 14, 17 e 20 de maio, dentro do XX Festival Amazonas de Ópera (FAO). O evento é realizado pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e do Fundo de Promoção Social, com o patrocínio máster do Bradesco Prime e patrocínio da Companhia de Gás do Amazonas (Cigás) e da Ambev.

Com direção musical e regência de Luiz Fernando Malheiro, a ópera traz no papel-título o tenor mexicano Luis Chapa. A montagem ainda tem como solistas a soprano Daniella Carvalho, a mezzo-soprano Andreia Souza, os baixos Anderson Barbosa e Murilo Neves, os barítonos Homero Velho e Arthur Canguçu, os tenores Juremir Vieira e Enrique Bravo, e o sopranista Bruno de Sá. Também integram o elenco da ópera as crianças Mayara Passos, Inaiá Vasques, Yasmim Campos e Thiago dos Santos, todos do Coral Infantil do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro.

O espetáculo contará ainda com a participação da Amazonas Filarmônica, do Grupo Vocal do Coral do Amazonas e do Coral do Amazonas. Integrantes do Balé Experimental do Corpo de Dança do Amazonas, do Balé Folclórico do Amazonas e do Corpo de Dança do Amazonas também participam da produção.

Já na parte técnica, a direção cênica é assinada por Caetano Pimentel, com coreografia de Tindaro Silvano, cenários de Giorgia Massetani, figurinos de Laura Françozo e desenho de luz de Fábio Retti, além da regência, no dia 17 de maio, de Otávio Simões, maestro assistente da Amazonas Filarmônica.

O secretário de Estado de Cultura, Robério Braga, destaca a relação íntima entre o compositor alemão e o Teatro Amazonas. “Já é uma tradição amazonense apresentar nos Festivais uma ópera wagneriana, que tem um relativo nível de dificuldade, vencido com louvor pelos nossos Corpos Artísticos. Com isso, a nossa qualidade técnica sobe cada vez mais, e fazemos a cada ano um Festival maravilhoso, um orgulho para todos nós”, ressalta.

A ópera

A peça, cujo nome completo é Tannhäuser e o Torneio de Trovadores de Wartburg, foi composta em Dresden, na Alemanha, enquanto Wagner atuava como diretor artístico do Teatro da Corte da cidade. Também autor do libreto, ele deu à ópera o primeiro nome de Der Venusberg. A composição foi finalizada em 13 de abril de 1845, e estreou em 19 de outubro daquele mesmo ano.

Baseada numa lenda medieval, a ópera situa-se na região da Turíngia, no início do século XIII, e conta a história do cavaleiro Tannhäuser, que, após passar uma temporada na corte da deusa Vênus, resolve retornar ao convívio dos mortais. Assim que retorna à Terra, encontra seus antigos amigos, que o levam a um torneio de trovadores, para quem o amor é um ideal sublime e elevado.

No torneio, entretanto, Tannhäuser acaba defendendo o amor carnal, e por causa disso, é reprimido pelos demais trovadores, sendo consolado apenas pela jovem Elisabeth, sobrinha de Hermann, Landgrave da Turíngia. Por defender o que é considerado pecado, o cavaleiro precisa ir ao Vaticano e pedir perdão ao Papa. Na viagem, deve estar de olhos vendados e pagar suas próprias penitências.

No Vaticano, entretanto, Tannhäuser não obtém o perdão do papa, que diz que é mais fácil o seu cajado florescer do que o cavaleiro obter o perdão de Deus e do homem. Frustrado, volta à Alemanha, onde se depara com Elisabeth subindo aos Céus, rogando a Deus por Tannhäuser. No final o cavaleiro morre, mas acaba obtendo o perdão divino, com o cajado do papa florescendo.

Preparação cênica

Cada movimento de palco, tanto dos solistas como do coro geral, é milimetricamente definido por Caetano Pimentel, diretor cênico da montagem amazonense de Tannhäuser. “É uma ópera complexa, tanto no cenário como na técnica e na música, e eu estou absolutamente impressionado que está tudo correndo muito bem”, afirma o diretor, que também montou a estreia mundial da ópera O Espelho, de Jorge Antunes, baseada em um dos contos de Machado de Assis.

“Eu não esperava, a essa altura da minha carreira como diretor cênico, dirigir uma ópera como Tannhäuser, e ainda assim no Teatro Amazonas. Para mim, foi um voto enorme de confiança dado pelo maestro Malheiro, e é uma honra trabalhar com pessoas tão competentes, como Daniella Carvalho, Luis Chapa e tantas outras”, ressalta Pimentel.

Para o diretor, nascido no Rio de Janeiro e residente em São Paulo, é uma honra trabalhar não só com os músicos, mas com os técnicos do Amazonas. “As pessoas em Manaus são muito gentis e trabalham muito bem. Não tive problema algum com o cenário, que foi montado em um dia, e eu esperava que fosse montado em três ou quatro dias! Para mim, está sendo um prazer dirigir essa ópera aqui no Teatro Amazonas, e se eu não chorar no começo da ópera, vou chorar no final”, destaca Pimentel, que dirige Tannhäuser pela primeira vez.

Orquestra, coro e balés

Três corpos artísticos estão diretamente envolvidos na produção wagneriana para o Festival Amazonas de Ópera: o Grupo Vocal do Coral do Amazonas (GVCA), o Coral do Amazonas e a Amazonas Filarmônica. Sob a preparação dos maestros Zacarias Fernandes e Hermes Coelho, o Coral do Amazonas e seu “filho”, o Grupo Vocal do Coral do Amazonas, trabalham todos os dias no Ideal Clube para atingir a excelência nas partes que envolvem o coro emTannhäuser.

“Numa montagem de ópera, costumamos agregar outros cantores para aumentar a massa sonora. O GVCA, que é um grupo novo, trabalhou alguns trechos em separado, e nos ensaios de cena, ensaiou com o Coral do Amazonas, constituindo uma única massa sonora, que é o nosso objetivo final”, completa Zacarias Fernandes, regente titular do Coral do Amazonas.

Se a preparação vocal dos dois coros para a ópera exigiu um trabalho árduo, com a orquestra não foi diferente, mesmo com o nível técnico altíssimo da Amazonas Filarmônica, segundo Luiz Fernando Malheiro, regente titular da orquestra e diretor artístico do FAO. “A dificuldade em executar uma obra de Wagner é sempre a técnica a ser utilizada para cada instrumento, a resistência necessária, o fôlego, a tensão que se precisa manter do começo ao fim numa ópera longa como é Tannhäuser”, aponta.


Fotos: Wander Luís

Malheiro pontua que não é a primeira vez que a orquestra trava contato com Tannhäuser, já tendo executado, da ópera, a áriaDich, Teure Halle, do primeiro ato da ópera. “Talvez a Amazonas Filarmônica seja, no Brasil inteiro, a orquestra que mais tocou peças de Wagner. Entretanto, em Tannhäuser, é difícil manter o interesse e a tensão dramática e continuar no espírito da coisa por quatro horas, que é a duração total da ópera. Mas a nossa orquestra é profissional e tira esse desafio de letra”, completa.

Três outros corpos artísticos estão envolvidos na concepção de Tannhäuser. Sob a orientação do renomado coreógrafo Tíndaro Silvano, o Corpo de Dança do Amazonas, o Balé Experimental do Corpo de Dança do Amazonas e o Balé Folclórico do Amazonas trabalham há mais de um mês para preparar toda a coreografia da ópera, principalmente a do primeiro ato. “Nós escolhemos ao todo 20 bailarinos – 11 moças e 9 rapazes – dos três corpos de dança. Adaptei uma concepção que eu já tinha planejado para corpos que tivessem esse número de bailarinos”, afirma.

Silvano, que é mineiro e trabalha em Belo Horizonte, afirma que é uma realização profissional de grande porte para sua carreira trabalhar no Teatro Amazonas e no FAO. “Tenho muitos anos de dança, mas ainda não conhecia Manaus e o Teatro Amazonas, que me acompanha durante a vida inteira como um grande mito. A sensação que eu tenho é de imenso prazer e realização, de participar dessa produção fantástica e apresentar o trabalho coreográfico que desenvolvo ao lado de grandes cantores e nesse teatro maravilhoso”, conclui.

Um alemão em terras amazônicas

Não é a primeira vez que Richard Wagner é o centro das atenções do FAO. Ao todo, sete óperas do alemão – nascido em 1813 em Leipzig e falecido em Veneza, na Itália, em 1883 – foram encenadas no palco do Teatro Amazonas, incluindo a tetralogia completa de O Anel do Nibelungo, considerada a magna opera de Wagner.

A primeira ópera do alemão a ser apresentada no Teatro foiAs Valquírias, a primeira da tetralogia, apresentada em 2002. Daquele ano em diante, o Festival apresentou em 2003, 2004 e 2005 as três óperas restantes da tetralogia: Siegfried, Crepúsculo dos Deuses e O Ouro do Reno, fechando o ciclo completo em 2005.

Em 2007, com a direção cênica do diretor vanguardista alemão Christoph Schlingensief, o Festival trouxe ao palco do Teatro Amazonas a ópera O Navio Fantasma. Considerada a mais experimental das produções do Festival, a apresentação ainda contou com performances que abrangiam três locais importantíssimos da capital amazonense: o Porto de Manaus, o Largo de São Sebastião e o Teatro.

Após um hiato de quatro anos nas peças de Wagner, o alemão voltou ao palco-símbolo do Amazonas em 2011, na comemoração dos 15 anos do Festival. A ópera da vez foi Tristão e Isolda, estreada em 1865 em três atos, com a direção cênica de André Heller-Lopes e a direção musical de Luiz Fernando Malheiro.

Parsifal, estreada em 1882, foi a mais recente das apresentações de Wagner no Festival. Além da comemoração de mais uma edição do Festival, a encenação da ópera, com direção cênica de Sérgio Vela, marcou a celebração de 200 anos do nascimento do alemão, tendo sua última récita apresentada exatamente no dia 22 de maio de 2013, aniversário de Wagner. “Para todos nós envolvidos na preparação desta ópera, esta apresentação terá um sabor especial”, disse, à época, o maestro Luiz Fernando Malheiro.

Sobre o Bradesco Cultura

Com mais de 350 projetos patrocinados anualmente, o Bradesco acredita que a cultura é um agente transformador da sociedade. O Banco apoia iniciativas que contribuem para a sustentabilidade de manifestações culturais que acontecem de norte a sul do país, reforçando o seu compromisso com a democratização da arte.

Com apoio a eventos regionais, museus, feiras, exposições, centros culturais, orquestras, musicais e muitos outros, a instituição possui, ainda, uma plataforma de naming rights com o Teatro Bradesco, que conta com unidades em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. A temporada cultural de 2017 inicia com o patrocínio para exposições que narram a trajetória da artista Anita Malfatti e do executivo Steve Jobs.

Serviço: Apresentação da ópera Tannhäuser, de Richard Wagner, no XX Festival Amazonas de Ópera

Data: 14, 17 e 20 de maio de 2017.

Horário de início: 19h (dias 14 e 20) e 20h (dia 17)

Local: Teatro Amazonas

Entrada: SETOR LARANJA: Plateia, frisas e 1° pavimento: R$ 60; 2° pavimento: R$ 55. / SETOR AMARELO: Plateia: R$ 55; Frisas: R$ 45; 1° pavimento: R$ 40; 2° e 3° pavimento: R$ 35 /SETOR ROXO: 1° pavimento: R$ 25, camarote externo: R$ 5; 2° pavimento: R$ 15, camarote externo: R$ 5; 3° pavimento: R$ 15.

Classificação indicativa: 12 anos